Conhecido como o momento da vida da mulher em que ocorre a transição do período reprodutivo ou fértil para o não reprodutivo, o climatério inicia-se por volta dos 41 anos e estende-se até os 65 anos. E, por volta dos 45 anos, em média, inicia-se o período denominado de perimenopausa.

A perimenopausa tem duração de até um ano após a menopausa – que no Brasil ocorre em média por volta dos 51 anos de idade. Ela é caracterizada por flutuações hormonais erráticas levando a sintomas físicos (ondas de calor ou “fogachos”, dores nas articulações ou musculares, entre outros) e sintomas psíquicos (humor depressivo, ansiedade, irritabilidade, alterações do sono etc). Segundo estudos, existe um aumento do risco de depressão em até duas vezes nesse período, independente de histórico prévio, sendo a perimenopausa considerada fator de risco independente.

Diante desse quadro, é fundamental que haja uma completa avaliação ginecológica e clínica antes de tudo. Porque algumas doenças como hipotireoidismo (disfunção da glândula tireoide), síndrome metabólica (conjunto de doenças cuja base é a resistência insulínica) podem contribuir com sintomas físicos como cansaço, fadiga, desânimo, aumento de peso, alteração do humor e até depressão.

Descartada alteração na anamnese e exames clínicos se faz necessário procurar um psiquiatra, pois não é qualquer antidepressivo que pode ser utilizado, e tal conduta precisa ser acompanhada por um profissional de saúde competente, pois alguns antidepressivos podem causar aumento de peso e diminuição da libido, daí vem a importância de verificar o medicamento mais adequado para cada mulher.

Mudanças psicossociais nessa etapa da vida como aposentadoria, conflitos conjugais, alteração sexualidade, saída dos filhos de casa, entre outros, podem contribuir para os quadros depressivos e ansiosos.

Assim sendo, é igualmente recomendável que, além da medicação (em caso de confirmação de um transtorno depressivo maior), haja uma abordagem psicoterápica, a fim de ressignificar as experiências de vida, mudar hábitos etc.

Como praticamente tudo em nossas vidas, as transições pelas quais passamos sempre abalam as nossas “estruturas”. Mas nunca é tarde para acessarmos novas formas de pensar sobre o mundo e sobre relacionamentos; nunca é tarde para mudarmos hábitos e comportamentos inadequados para os novos períodos de vida pelos quais passamos. A nossa saúde – física e sobretudo mental – agradece.

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